Saia de homem

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As saias usadas por homens são a glória de alguns e o horror de outros no universo da moda. Alexandre Herchcovitch, em seu último desfile na São Paulo Fashion Week, mostrou homens com saias e meias compridas. João Pimenta é um designer que também utiliza saias masculinas com desenvoltura. Recentemente, o ator Jared Leto apareceu em um evento usando as suas sobre calças.  O estilista americano Marc Jacobs já é conhecido por andar há um tempo atrás com um elegante modelo preto, que combina com camisa branca, e o designer Rick Owens usa saias de couro preto. Até Kanye West também já foi visto de saia.
Falando um pouco de História, até o final do Império Romano, homens e mulheres se vestiam com túnicas. No mundo romano, usar calças era sinônimo de mundo bárbaro (portanto, pouco sofisticado, atrasado…). Com a queda do Império Romano, foram os ditos povos bárbaros que passaram a dominar. Foi neste momento que a divisão de gênero em roupas passou a imperar sobre outros parâmetros: homens usam calças e mulheres usam saias. Portanto, são mais de 10 séculos de conformação e introjeção desta distinção. Para mulheres usarem calças elas tiveram que fazer uma revolução sexual, lutar por direitos e superar preconceitos por cem anos. Para os homens usarem saias, portanto, é diferente. As transformações de aparência do mundo masculino são menos revolucionárias, mais processuais, desta maneira, bem mais lentas.
A saia masculina é vestimenta tradicional em algumas culturas (fora da moda), e logo a associamos com a escocesa. O chamado kilt é a roupa de gala tradicional, utilizada até hoje, Quando a saia masculina aparece nas passarelas, normalmente ela vem com a referência de kilt. Os kilts com padrão tartan, aquele xadrez típico escocês que indica sua filiação familiar, influenciaram a moda através do punk, como veremos a seguir.
Um dos primeiros estilistas da contemporaneidade a mostrar uma saia masculina na moda foi Jean-Paul Gaultier, em 1984. Nas ruas, o movimento punk – já bastante estilizado àquela época – usava kilts comprados em brechós e bazares de usados pelas ruas de Londres. Gaultier se apropriou dessa moda jovem das ruas e a colocou no centro do furacão da moda: Paris! Outros designers também apresentaram, desde então, as saias nas passarelas, como os belgas Ann Demeulemeester, Walter von Beirendonck e Dries van Noten e a britânica – e estilista punk por excelência – Vivienne Westwood – todos eles vistos como transgressores no universo da moda.
O museu britânico Victoria & Albert exibiu, em 2003, a exposição, catálogo e desfile Men in Skirt, parte do projeto ‘Fashion in Motion’, que mostrava um desfile de moda a partir da ideia de curadoria temática com peças de grandes designers para torná-los mais acessíveis ao público em geral. Men in Skirt exibiu peças de Kenzo, Burberry, Paul Smith e Yohji Yamamoto, além de Gaultier e Westwood.
Quase sempre tratadas como subversão da questão de gênero, porque historicamente realmente são, as saias para homens nunca conquistaram efetivamente o homem comum. E mesmo 30 anos após Jean-Paul Gaultier ter lançado a ideia (e ele mesmo sempre ter vestido muitas de suas propostas) as saias masculinas são ainda consideradas muito excêntricas. Quem as utiliza hoje, usa como elemento de diversão ou de subversão da ordem de gênero tradicional (sobretudo quando escapa ao formato kilt e avança utilizando soluções ditas femininas, como saias rodadas, em tecidos leves, cores chamativas ou estampadas).
Algumas marcas de moda jovem, com traços de avant-garde (vanguarda) que arriscam transgredir e cutucar o sistema estabelecido. E aqui entram Pimenta e Herchcovitch, que citamos logo no comecinho deste post. A saia masculina não é exatamente uma novidade, mas por que será que ela não ganha pelo menos parte das ruas?
E você? Usaria saia?

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